acordes violão

5 – Formação de Acordes e Estruturas No Violão

Se sua dúvida é sobre formação de acordes, saiba que você chegou no artigo certo. Abaixo eu apresento bastante informação sobre o tema, mas como o assunto é muito grande e cheio de detalhes é possível que você encontre várias dúvidas. Deixe sua pergunta no fim do artigo ok?

Só lembrando que todo o conteúdo deste artigo é uma adaptação da minha Apostila do Curso de Harmonia e Arranjo Para Violão. Portanto, estão adaptados aqui os 3 módulos da apostila de harmonia geral que são dedicados a teoria da formação de acordes, todas as explicações e exemplos estão gavadas em vídeos disponíveis no Curso.

Assista aos Vídeos sobre Formação de Acordes do Guia de Estudos de Harmonia para Violão!

Veja os temas:

Introdução à Formação de Acordes

Os acordes se estabeleceram como base para a condução harmônica no sistema tonal após um longo caminho de desenvolvimento. Partindo de combinações de monodias (melodias solos), o entrelaçamento de vozes e suas complexidades foram aos poucos se desenvolvendo. Neste lento processo, o ouvido musical passou a identificar agrupamentos de sons até chegar ao processo que conhecemos hoje como formação de acordes.

A este agrupamento damos o nome de acordes. Estudaremos a seguir as formações de acordes e suas variações básicas a partir das possibilidades intervalares.

Na prática harmônica, consideramos acorde, o agrupamento “vertical” de notas sobrepostas em intervalos de terças. Sendo assim, se pegarmos uma escala qualquer e sobrepomos as notas em terças poderemos obter acordes com uma variada quantia de notas:

Formação de acordes a partir de uma escala:

tabela de formação de acordes

Então, se analisarmos o acorde a partir de uma escala de onde o acorde foi gerado, cada uma das notas internas, assume uma determinada função neste processo de sobreposição em terças.

Formação de acordes: tríades e tétrades

Damos o nome de tríades aos acordes formados pelas três primeiras notas sobrepostas: a tônica, terça e quinta. Quando acrescentamos a sétima na tríade teremos então uma tétrade. Esses dois tipos de acordes são os que possuem por si só aplicação prática no estudo de harmonia tonal. 

A nona, décima primeira, décima terceira e demais qualidades de intervalos serão notas acrescentadas, mas que somente possuem função de ornamento e não alteram as funções primárias das tríades e tétrades.

Formação de acordes: Tríades

Se variarmos as qualidades intervalares das notas que formam uma tríade, chegaremos a 4 qualidades desse tipo de acorde:

formação da tríade - acordes

Relação intervalar na distribuição das tríades

3M + 3m = (Dó-Mi- Sol) = C  (Tríade maior)

3m + 3M = (Dó-Mib- Sol) = Cm  (Tríade menor)

3M+ 3M= (Dó-Mi- Sol#) = C+  (Tríade aumentada)

3m + 3m= (Dó-Mib- Solb) = C°  (Tríade diminuta)

Um processo simplificador para o reconhecimento das tríades é o de interpretá-la sempre a partir das variações de suas 3 notas que serão sempre tônica, terça e quinta. A qualidade desses intervalos acontecem justamente pela variação de distância entre eles.

Teremos então:

Tríade maior: (1 3M 5J)

Tríade menor: (1 3m 5J)

Tríade aumentada: (1 3M 5+)

Tríade diminuta: (1 3m 5-)

formação das tríades - acordes no violão

As tríades da imagem acima, na sequência são:  C (Dó Maior), Cm (Dó Menor), C+ (Dó Aumentada) e C° (Diminuta)

quadro formação de tríades - apostila violão

Formação de acordes: Tétrades

Uma tétrade é um acorde com 4 terças sobrepostas. Ele é derivado da tríade. Como sabemos a tríade é formada pela sua fundamental, terça e quinta. A quarta nota que forma a tétrade será a sétima.

Para a construção das tétrades usaremos o mesmo procedimento que foi empregado nas tríades. Nesta etapa obteremos sete possíveis tipos de tétrades que são comumente utilizados no sistema tonal.

Então se acrescentamos mais uma terça à tríade obteremos uma tétrade:

formação das tétrades

A partir da Tríade Maior: 3M + 3m = (Dó-Mi-Sol) = C (Tríade Maior)

3M + 3m + 3M = (Dó-Mi- Sol-Si) = C7M  (Tétrade Maior com Sétima Maior)

3M + 3m + 3m = (Dó-Mi- Sol-Sib) = C7   (Tétrade Maior com Sétima Menor)


A partir da Tríade Menor: 3m + 3M = (Dó-Mib-Sol) = Cm (Tríade Menor)

3m + 3M + 3M = (Dó-Mib-Sol-Si) = Cm(7M)  (Tétrade Menor com Sétima Maior)

3m + 3M + 3m = (Dó-Mib- Sol-Sib) = Cm7  (Tétrade Menor com Sétima Menor)


A partir da Tríade Diminuta: 3m + 3m = (Dó-Mib-Solb) = C° (Tríade diminuta)

3m + 3m + 3M = (Dó-Mib- Solb-Sib) = Cm7(b5)  (Tétrade menor com sétima e quinta bemol)

3m + 3m + 3m = (Dó-Mib-Solb-Sibb) = C°  (Tétrade diminuta)


A partir da Tríade Aumentada: 3M + 3M = (Dó-Mi-Sol#) = C+ (Tríade Maior)

3M + 3M + 3M = (Dó-Mi-Sol#-Si#) = C(#7) (Acorde Incoerente)

3M + 3M + 3m = (Dó-Mib-Sol#-Si) = C7M(#5) (Tétrade Aumentada com Sétima Maior)


Um processo simplificador para o reconhecimento das tétrades é o de interpretá-la sempre a partir das variações de suas 4 notas que serão sempre tônica, terça, quinta e sétima:

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Veja outras exemplificações de como ficam organizadas as formações das tétrades:

formação das tétrades
tabela formação das tétrades

Inversão dos Acordes

Como já aprendemos até aqui, os acordes podem ser tríades ou tétrades e são formados pela sobreposição de terças. Os tipos de acordes derivam das qualidades dos intervalos internos.

Vamos usar como exemplo uma tétrade, que é um acorde formado pela sua fundamental, terça, quinta e sétima.  Para invertermos um acorde o que devemos fazer é alterar a ordem de suas notas a partir do baixo.

  [T  3 5  7] – [3  5 7  T] – [5  7 T  3] – [7  T 3  5]

Grosso modo, um acorde está invertido quando se apresenta com sua terça, quinta ou sétima na posição mais grave. Por isso dizemos por exemplo Dó com baixo em Mi (C/E). Trata-se de um acorde maior de dó com sua terça no baixo.

Uma tétrade pode se apresentar em três inversões:

Estado Fundamental:

tétrade posição fundamental violão

Primeira Inversão

tétrade primeira inversão violão

Segunda Inversão

tétrade segunda inversão violão

Terceira Inversão

tétrade terceira inversão

Entenda pra que serve a inversão de acordes

Os exemplos a seguir são explicados e demonstrados no curso.

Podemos usar as inversões com os seguintes objetivos:

1) Para alterar ou suavizar a sonoridade de um acorde:

inversão-dos-acordes-sonoridade

2) Para dar coerência na condução das vozes:

inversão-de-acordes-condução-de-vozes

3) Para criar desenhos melódicos na linha do baixo:

inversão-de-acordes-suavizando-o-baixo

Estado, Apresentação e Posição

Os acordes podem ser analisados a partir de três aspectos:

Estado na formação de acordes

Refere-se ao baixo do acorde, o que diz respeito a inversão das notas.

  • Posição fundamental
  • 1ª Inversão
  • 2ª Inversão
  • 3ª Inversão

Obs: As notas complementares como 9, 11 e 13 assim como suas reinterpretações: 2, 4  e 6, não devem ser posicionadas no baixo do acorde. Considera-se para uso de inversão somente a 3, 5 e 7.

Apresentação ou abertura na formação de acordes

Um mesmo acorde pode ser distribuído de inúmeras maneiras.

Além da inversão devemos levar em conta o espaçamento entre cada nota do acorde. A harmonia tradicional leva em consideração os mínimos detalhes da organização interna dos acordes, e para auxiliar nossa compreensão utilizaremos algumas abordagens e orientações provenientes dessa tradição.

Vejamos os exemplos abaixo:

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Para simplificar a interpretação da apresentação de um acorde foram estabelecidos alguns padrões:

  • Um acorde pode ter apresentação aberta ou fechada
  • O baixo pode estar afastado mais de uma 8ª da próxima voz imediata
  • Consideramos um acorde fechado quando suas vozes, após o baixo, estão distanciadas entre si até no máximo de uma 4ª
  • Consideramos um acorde aberto quando existe um salto de mais de uma 4° entre algumas das vozes após o baixo. Costuma-se não ultrapassar uma 8° de distanciamento entres as vozes, com exceção do baixo

Outros Exemplos:

Apresentação dos acordes

Posição na formação de acordes

Refere-se a nota situada na voz mais aguda, chamada também de nota da ponta.

Temos as seguintes posições:

  • Posição de terça
  • Posição de quarta
  • Posição de quinta
  • Posição de oitava
  • Posição de nona
  • Posição de décima primeira
  • Posição de décima terceira

Exemplo:

posição dos acordes violão

Paramos por aqui por enquanto. Este conteúdo dá uma boa introdução sobre o que você precisa saber inicialmente sobre formação de acordes. O ideal é sempre estudar com um professor, já que é necessário transformar esta teoria em prática, ou estude também através de cursos que você confia.

Veja mais um vídeo!

Um vídeo disponível no meu curso sobre inversão das tétrades

Ficou com alguma dúvida sobre Formação de Acordes no violão? Deixe nos comentários! 🙂

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Escrito por
Mateus Bustamante
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