improvisação no violão

Improvisação no Violão – Parte 2

Essa é a segunda parte do texto sobre improvisação no Violão. A primeira parte encontra-se aqui.

Improvisar = registrar, reproduzir e depois estudar muito, praticar e experimentar

Então para quebrar toda mística em torno do tema, improvisação musical nada mais é que naturalmente e intuitivamente reproduzir os padrões sonoros que ouvimos desde nossa infância. Isso pode parecer uma ideia simplista e minimalista, mas se tratando de cantarolar, assoviar ou batucar é justamente isso mesmo. Claro que este é um ponto de início. Penso que a partir dessa ideia podemos aceitar que fazer música está naturalmente ao acesso de todos.

No entanto quando falamos de improvisar em um instrumento, no meu caso improvisação no violão, dentro de sistemas musicais que norteiam, limitam e padronizam os processos, subimos vários degraus no quesito complexidade, pois agora nos deparamos com os desafios técnicos e próprios de cada instrumento, estilo e sistema musical. Como sou violonista, vou falar sobre improvisação no violão.

Improvisação no Violão

Assim, uma coisa é improvisar com a voz e com um assovio. Neste processo intuitivamente manobramos as alturas (notas musicais) dos sons emitidos desenhando as melodias que desejamos criar. Quando partimos para o violão – aqui no nosso caso – o primeiro ponto, é que temos que reconhecer e dominar minimamente o funcionamento do instrumento. As notas no braço, recursos timbrísticos e técnicos, recursos melódicos (escalas), harmônicos (aplicações em acordes) e rítmicos (uma infinidade de variedade).

Embora o processo todo seja muito mais complexo, o fundamento inicial é o mesmo que na voz ou no assovio, o segredo está na memória. Improvisar é criar uma música com um padrão de ação já reconhecido e estudado anteriormente. Então estuda-se muito as inúmeras possibilidades melódicas e harmônicas, os limites e as possíveis expansões sonoras, escalas, arpejos, as aplicações, substituições, as muitas variações rítmicas. Com isso, cria-se um vocabulário musical que será empregado no momento do improviso.

Jazz e Choro

Como disse no início do primeiro texto, esse é um tema muito abrangente.  Nem sequer entrei nas questões dos gêneros, estilos e das diversas linguagens, mas posso falar um pouquinho sobre isso: Tomemos como referência o Jazz e o Choro, que são gêneros musicais com sonoridades bastante distintas e em ambos os casos, é muito comum o improviso.

Para cada um desses estilos de improviso, utiliza-se elementos com características bem diferentes, o que resulta em sonoridades próprias. Não vou fazer uma análise de cada caso agora, mas alguns elementos que posso citar é a questão rítmico-melódica do fraseado musical de cada estilo, as escalas mais comumente utilizadas para cada caso e a relação harmônica. Ambos os estilos, na maioria dos casos se encaixam dentro do sistema tonal, mas somente isso não é o bastante para torná-los semelhantes, na verdade eles são bem distintos.

Improvisar sem exageros!

Podemos ver que o assunto gera muito “pano pra manga”, e que um bom improvisador tem que estudar muito. Digo bom improvisador porque é muito comum vermos instrumentistas tocando de qualquer forma, sem critério, sem conceito e até mesmo senso estético. Arte é com certeza inspiração, mas como já diz o velho ditado, 90% é transpiração. Até mesmo dentro da linha de estudo de improviso livre, que é uma linha experimental da prática musical, onde teoricamente deve-se fugir de qualquer sistema, temos fatores estéticos que imprimem sentido e expressão e os músicos adeptos desta linha são geralmente muito criteriosos.

Chegamos ao fim! Se você ainda está lendo é porque curti esse assunto. Então vou deixar dois vídeos de improvisos, um de choro e outro de Jazz para você apreciar e tirar suas próprias conclusões:

Esse primeiro é um choro Maravilhoso – Chorinho pra Você

Os primeiros 45 segundos é só improviso, aí começa o tema e então assistindo tudo você vai perceber quando retorna o improviso. No minuto “3:23” rola um improviso do violão de 7 cordas, depois cavaquinho, pandeiro com intervenções do tema e em seguida uma improvisação geral pra voltar pro tema e acabar. Lindo demais! Curte aí!

Nesse segundo vídeo é o tema Autumn Leaves com Miles Davis.

Uma introdução longa seguida do tema e depois muito improviso. Você com certeza vai sacar o que é tema e improviso.

Por fim, gostaria de deixar claro que não tenho a intenção de diminuir ou de aumentar o valor de qualquer maneira de fazer música. Todas as formas de expressão artística possuem seus valores próprios, e é justamente essa variedade que nos permite a identificação e escolha dos caminhos que queremos traçar. Mas espero de alguma forma ter lhe ajudado a refletir um pouco sobre esse tema e sobre os seus caminhos musicais. Pesquise mais, a rede está cheia de conteúdos sobre esse assunto!

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Se você curtiu deixa um comentário e reponde aí: O que você prefere? Choro ou Jazz?

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Escrito por
Mateus Bustamante
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